A fronteira muito além das compras

Um universo de sentimentos, sensações e peculiaridades

Por Redação 17/06/2019 - 15:37 hs
Foto: Portal da Fronteira/Divulgação
A fronteira muito além das compras
Obelisco Parque Internacional

Localizada sobre a fronteira seca com a República Oriental do Uruguai, Santana do Livramento forma com a cidade de Rivera uma fronteira peculiar e diferente das existentes no continente. Distante 490km de Porto Alegre e 500km de Montevidéu, capital do Uruguai.


Não há aqui um rio, não há uma ponte ou sequer um posto de vigilância as duas cidades nasceram de um fenômeno da vida social, espontâneo. São mescladas por uma ampla avenida e uma majestosa praça, tudo converge, se entrelaça, se confunde e como diz o gaúcho, se entrevera que é barbaridade.


A cidade é conhecida como destino turístico de compras, uma vez que a vizinha Rivera conta com o maior número de lojas free shops de toda a fronteira uruguaia. No entanto, essa definição já está ultrapassada, a fronteira da paz é um promissor polo de turismo. Estamos falando de história, enoturismo, gastronomia, olivicultura, turismo rural, águas termais e eventos.


E nós vamos provar isso aqui no Portal da Fronteira!


A origem do termo fronteira, que possui correspondentes no espanhol (frontera), no francês (frontière) e no ingles (frontier) deriva do antigo latim e indica parte do território situada em frente. Os dois povoados foram criados com fins militares, responsáveis pela vigilância mútua dos interesses de cada país no entanto, houve o surgimento de uma cultura de fronteira proveniente da necessidade de convivência dos dois povos distanciando-se do objetivo original traçado por cada governo.


O intercâmbio social, cultural e comercial com Rivera, acarreta um convívio em permanente comunhão, praticando atos de comércio e de consumo usando indistintamente a moeda dos dois países, fazendo uso dos dois idiomas ou mesmo do resultante de sua fusão, o ‘portunhol’, constituindo-se em um modelo de cooperação e integração.


É natural que famílias tenham integrantes das duas nacionalidades e muitos desses integrantes tem as duas, os "doble chapa" e frequentemente moram em uma cidade e trabalham na outra.


O caráter binacional de nossas cidades decorre de uma conurbação real e efetiva que, a despeito da divisão estabelecida pelos marcos fronteiriços, apresenta uma unicidade econômico-social, cultural e territorial marcante, propiciada pela mobilidade e fluidez entre as duas áreas urbanas, dentre outras, de pessoas, veículos, compras, negócios e de eventos.


Por aqui os viventes se entendem lindo no más, alguém vai se espantar com o português sem sotaque dos uruguaios (especialmente daqueles que atendem aos turistas) e com a resistência dos brasileiros em falar o espanhol deles, porque fica encabulado, no entanto, vir para essas bandas é relembrar um passado de lutas e conflitos contra castelhanos, um passado que ficou na história e nas homenagens aos peleadores daqueles tempos remotos.


Apesar das peleias, os campos permaneceram abertos, não fosse pelos marcos espalhados por uma linha divisória imaginária, o fronteiriço não teria querência definida. Anda entre uma coxilha e outra em Santana, faz das várzeas uruguaias morada, e como diz o artista, é orelhano de marca e sinal, mesclando fronteiras, retrata na estampa os rigores do pampa e serenas maneiras.


A história de Santana é esculpida por índios Charruas e Minuanos, que através da cultura e das lutas passaram a traçar os primeiros caminhos da fronteira, formaram o primeiro povoado e enfrentaram com coragem aqueles que um dia se tornariam nossos parceiros de negócios, irmãos e irmãs, primos, avós, pais, esposas e maridos, companheiros de dificuldades e de cooperação, mas acima de tudo, nossos hermanos castelhanos.