Negócios Sociais

Lucro e impacto social positivo no mesmo modelo de negócios

Por Redação 18/06/2019 - 17:17 hs

Negócios sociais representam um novo conceito de empreendedorismo já que une lucratividade e impacto social. Um modelo emergente de investir e empreender que vem atraindo o interesse de pessoas e empresas preocupadas não somente no lucro, mas na possibilidade de promover o desenvolvimento e a qualidade de vida de comunidades com poucos recursos. Este novo conceito de negócio privilegia a geração de resultado social e ambiental. Aqui o lucro passa a ser o meio pelo qual a atividade gera cada vez mais impacto positivo às comunidades envolvidas.


É importante lembrar que esse modelo empreendedor difere das organizações sociais ligadas à filantropia e ao assistencialismo, especialmente por não contar com enquadramento fiscal específico e se tratar de uma atividade que trabalha com investidores em vez de doadores, colaboradores no lugar de voluntários e se compromete, intencionalmente, com o desenvolvimento de uma coletividade, uma vez que prioriza a inclusão através da geração de renda e consumo de forma simultânea, incentivando a participação dos próprios beneficiados em toda a cadeia produtiva.


Ainda que haja um certo conflito entre correntes de pensamento que divergem sobre a legitimidade desse modelo de negócio – a partir da percepção de que transformar comunidades carentes em atores econômicos pode representar uma forma de exploração – o fato é que a simples reversão de um assistencialismo histórico, que subjuga cidadãos carentes a meros sujeitos de caridade, em negócios inclusivos, geradores de rentabilidade, que mobilizam e empoderam a base da pirâmide social, seja como consumidores, produtores ou distribuidores já seria suficiente para aprofundar a discussão sobre o tema e buscar a forma mais correta de aplicá-lo.


Outra questão que motiva discussões está relacionada ao que concerne à distribuição de lucros dentro de negócios de impacto. Há os que acreditam que investidores não devem ter direito a lucros e dividendos, somente devem recuperar o capital investido, permitindo que todo lucro seja reaplicado na empresa ampliando os benefícios sócio ambientais. Outro grupo defende que a distribuição de lucro é importante porque atrai mais investidores, mobiliza um volume maior de capital e aumenta a escala de criação de novos negócios.


Independente dos conflitos de opiniões e percepções distintas acerca do tema, o objetivo desse artigo é promover reflexão e despertar interesse em torno das possibilidades de aplicação dessas práticas dentro de nossas empresas tradicionais e incluí-las em novos projetos empreendedores. Não é novidade que grandes empresas se utilizam do discurso da responsabilidade social como modalidade estratégica, no entanto, embora conservem alguma boa intenção sofrem com a queda na relevância de suas ações devido à projeções de curto prazo e diante do baixo resultado socioeconômico obtido.


Por conta desse descompasso entre o comprometimento com a responsabilidade social e sustentabilidade e o baixo retorno efetivo para a sociedade, grandes empresas passaram a estabelecer em seu portfólio unidades de negócios de impacto. A combinação entre retorno econômico-financeiro e geração de benefícios sócio/ambientais á comunidades vulneráveis consistem na natureza do negócio social.


A Coca-Cola Brasil administra o Coletivo Floresta, um projeto voltado para a capacitação e o empoderamento de comunidades ribeirinhas do Amazonas, responsáveis pela extração do açaí. O negócio da divisão Del Vale Reserva oferece assistência técnica, acesso a preços justos aos produtores, gera lucro e valor para a empresa e ainda promove a imagem da companhia.


A Danone Brasil em parceria com a Qualikits dirige o projeto Kiteiras, voltado para o empreendedorismo feminino. Através de um catálogo de produtos, ou um carrinho refrigerado e devidamente capacitadas, as mulheres de comunidades do subúrbio de Salvador recebem a oportunidade de desenvolver um negócio de vendas porta em porta que proporciona renda estável, inclusão social e poder de consumo.


No entanto, não são só de grandes empresas que se fazem negócios sociais de impacto, muitas outras iniciativas estão fazendo diferença em núcleos de baixa renda por todo o país, conheça e inspire-se!


A Rede Asta é a primeira rede de venda direta do país que promove a distribuição de produtos artesanais produzidos por comunidades carentes no Rio de Janeiro.

A Saútil usa um site que divulga dados e informações sobre a rede pública de saúde com abrangência nacional.

A Solidarium com sede em Curitiba promove a conexão entre pequenos produtores e artesãos com grandes redes varejistas e ainda mantém o comércio online para venda direta ao consumidor a nível nacional.

O Banco Pérola oferece microfinanciamento para jovens empreendedores das classes C, D e E na cidade de Sorocaba e faz parte da rede correspondente de microcrédito da Caixa Econômica Federal.


A Yunus Negócios Sociais Brasil faz parte do Grameen Bank de Bangladesh, um projeto conduzido pelo economista e prêmio Nobel da Paz Muhamed Yunus, pioneiro nesse tipo de iniciativa. O projeto busca desenvolver condições favoráveis aos negócios de impacto oferecendo um fundo de investimentos, incubadora e aceleradora, educação, consultoria e o compromisso de buscar a ampliação do conceito de negócio social para a área de recursos públicos.


Os casos de negócios citados são uma pequena amostra da capacidade de resolver problemas sociais através de iniciativas inovadoras e criativas de empreendedores pioneiros e perspicazes. Ainda que esse modelo de negócio represente um desafio talvez ainda mais complexo que modelos convencionais, a perspectiva é de que com a colaboração de outras organizações e empresas de âmbito global, com grande capacidade influenciadora, ampla rede de distribuição e isentas de interesses meramente oportunistas, seja possível unir os objetivos de transformação social a oportunidades de negócios lucrativos e de grande potencial de crescimento em prol de sociedades mais justas e inclusivas.